No tempo do COVID, fiquei muito pensativo sobre a Igreja. E se não pudéssemos mais nos reunir nos templos? Estaríamos preparados para continuar sendo o povo de Deus, vivendo a missão de fazer discípulos sem depender de encontros presenciais semanais?
A pandemia expôs muito do coração da Igreja. Em alguns lugares, vimos irmãos se levantando com coragem: servindo seus vizinhos, reunindo-se em pequenos grupos, cuidando uns dos outros e compartilhando o amor de Cristo de maneiras criativas. Como aconteceu com a perseguição em Jerusalém, aquilo que parecia um obstáculo se tornou um impulso para a missão. Discípulos treinados viveram sua fé de forma prática, obedecendo ao chamado de Jesus.
Mas também vimos o outro lado. Muitos líderes se desesperaram, inseguros de que seus membros permaneceriam firmes sem a programação regular. Infelizmente, em muitos casos, estavam certos. Pessoas abandonaram a fé, divisões se multiplicaram e, em vez de amor, muitos cristãos se tornaram conhecidos pela crítica e pelo ódio.
Foi como uma consulta espiritual: a pandemia revelou a verdadeira saúde da Igreja. Descobrimos que havíamos formado mais consumidores do que discípulos. Nos tornamos excelentes em organizar cultos, louvores e programas, mas não em preparar pessoas para viverem como discípulos no dia a dia. Quando os “serviços” foram retirados, muitos também se foram.
O mais impressionante é que, mesmo sabendo que fazer discípulos é a missão central da Igreja, grande parte das comunidades reconhece que esse é justamente o seu ponto mais frágil.
Por isso, precisamos urgentemente de uma mudança de rota. Algumas transições são essenciais:
- De apenas alcançar pessoas para realmente fazer discípulos.
- De apenas informar para equipar discípulos que fazem discípulos.
- De convidar para programas para conduzir a conexões reais com Deus e com os outros.
- De viver em esforço esgotante para florescer como discípulos cheios do Espírito e líderes saudáveis.
- De acumular pessoas em prédios para enviar discípulos até os confins da terra.
O chamado de Jesus continua o mesmo: fazer discípulos que fazem discípulos. Se a COVID nos ensinou algo, foi que não podemos depender de estruturas, prédios ou eventos. Precisamos voltar ao básico: ser e formar discípulos que vivem como Jesus, amam como Jesus e multiplicam o que receberam d’Ele.
É hora de reorientar a Igreja. Não para trás, mas de volta ao essencial. Um retorno de 180 graus ao discipulado.

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