Quando ouvimos a palavra “discípulo”, o que ela realmente significa para nós? No contexto das Escrituras, o termo discípulo (mathetes) é mencionado mais de duzentas e trinta vezes e, em sua essência, significa “aprendiz ou seguidor”. No entanto, muitos, ao falarem de discípulos, tendem a pensar em um cristão mais comprometido, o que é um erro comum.
Ao redor de Jesus havia discípulos em todos os níveis de aprendizado e compromisso. Um discípulo é alguém que está em diferentes estágios de crescimento e desenvolvimento, com o interesse de seguir a Cristo. Isso pode incluir desde um “buscador” não cristão, que está sendo atraído pelo Espírito Santo, até um novo “crente”, ainda um bebê na fé, mas ávido por crescer. Pode também ser um “trabalhador” comprometido, transbordando de gratidão, ou até um “missionário” enviado, buscando fazer outros discípulos.
O discipulado, portanto, é um processo abrangente que envolve ganhar os perdidos, crescer os crentes, equipar os trabalhadores e enviar multiplicadores provados. É um termo que define a missão de qualquer crente e de qualquer igreja, sendo a maior de todas as causas na terra (Mateus 28:16-20).
Liderança e o Caminho para um Relacionamento Mais Profundo com Cristo
Muitas pessoas estão satisfeitas em apenas frequentar um culto, talvez até participar de um pequeno grupo e servir na igreja. Embora isso seja bom, o que podemos fazer como líderes para incentivá-los a buscar um relacionamento mais profundo com Cristo?
A verdadeira alegria da vida cristã não está em receber, mas em dar. Jesus foi claro sobre isso quando disse: “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (Atos 20:35). Em Filemom, versículo 6, encontramos uma expressão única: “Oro para que a comunhão da tua fé se torne eficaz no pleno conhecimento de todo o bem que há em nós para com Cristo”. À medida que compartilhamos nossa fé, fortalecemos nossa fé. Somos abençoados para sermos uma bênção. E ao compartilhar essa bênção, experimentamos a verdadeira profundidade da nossa fé.
Os líderes precisam entender plenamente que não formamos um discípulo “plenamente treinado” (Lucas 6:40) até que esse discípulo faça outro discípulo. A reprodução é o desejo de Deus e o melhor para todos nós. Devemos, por todos os meios possíveis, exortar nosso povo a se tornarem discípulos que fazem discípulos. Essa é a pessoa que tem “filhos espirituais” e, eventualmente, “netos espirituais”. Eles aprenderam plenamente a compartilhar sua fé e a transmiti-la a outros. É nesse ponto que a “alegria” começa a ser experimentada. Eles fazem discípulos que fazem discípulos. Esse é o plano de Deus e a maior alegria de Deus.
Uma Fascinação Genuína por Jesus
Para muitos líderes, existe uma fascinação genuína com o Jesus das Escrituras. Como isso começa? Pode começar em qualquer momento, desde o início de uma jornada cristã. Para alguns, essa fascinação surge ao estudar a vida de Jesus de uma maneira mais profunda, como em uma harmonia dos Evangelhos, que reorganiza os relatos dos quatro Evangelhos em ordem cronológica.
O Caminho do Discipulado: As Quatro Cadeiras
Jesus foi um mestre em fazer discípulos e construir um movimento de multiplicadores de discípulos. Um método eficaz de entender como Jesus fez discípulos é visualizar as quatro cadeiras que representam os desafios que Jesus deu cronologicamente aos Seus discípulos.
1. Primeiro Desafio: “Venham e vejam” (João 1:39). Este é um convite inicial para “aparecer”, dirigido as pessoas que estão interessadas em conhecer a fé.
2. Segundo Desafio: “Sigam-me” (João 1:43). Este desafio é dirigido aos novos crentes para que imitem a vida de Cristo, aprofundando seu relacionamento com Ele.
3. Terceiro Desafio: “Eu os farei pescadores de homens” (Marcos 1:16-20). Este desafio é para aqueles que já estão prontos para reproduzir sua fé em outros.
4. Quarto Desafio: “Vão e dêem fruto” (João 15:16). Neste estágio, os discípulos estão sendo enviados para reproduzir nos outros o que Cristo produziu neles.
Esses quatro desafios formam o caminho do discipulado para todos os discípulos. Ao identificar em qual cadeira cada um está, tanto o discipulador quanto o discípulo podem entender quais são os próximos passos necessários.
Mantendo o Foco em Cristo
Para líderes, manter o foco em Cristo, e não em programas ou sistemas, é essencial. A verdadeira paixão deve estar em conhecer Jesus mais profundamente, ano após ano. Somente ao voltar para Jesus, e não para o currículo mais recente ou um programa da moda, podemos ter a chance de experimentar um verdadeiro avivamento soprado por Deus. Afinal, nunca nos cansamos de Jesus.
Este foco em Cristo é o que levará a uma vida cristã mais profunda e significativa, tanto para líderes quanto para aqueles que estão sendo discipulados. A verdadeira missão de um discípulo é se tornar como o Mestre, viver como Ele viveu e fazer discípulos que também farão discípulos, seguindo o exemplo de Jesus.

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